13 de nov de 2007

Duas Histórias (Parte 2)

13 de nov de 2007

- As coisas ficavam mais difíceis em casa. As brigas tornaram-se constantes.
Ela pegou o celular e saiu pelas ruas, raivosa, sem rumo ou direção. Com certeza ia se enfiar em algum shopping, ou alguma loja de cds e ficar por lá, perdida entre os tesouros que já tinha.
O celular toca seguidas vezes. É sua mãe querendo saber onde ela iria, mas ela não atendia.
As horas passavam, e ela não se acalmava, estava impaciente. Não queria ir pra casa agora, ela não queria nada.
Com os fones no ouvido, observava as pessoas transitando, cada qual com seu rumo, e ela, alí perdida ouvindo Strokes no último volume. Ela resolveu sair...

- João terminara seu expediente na obra, e corria pra pegar um dos bicos que conseguira com a ajuda do sogro. Era no centro da cidade, ele estava atrasado e não queria chegar depois do horário previsto. A noite chegava devagar, dominava o céu e o espírito das pessoas.
Ele ainda tinha que pagar uma conta em uma casa lotérica, já com a porta entreaberta.
Depois de uma fila cansativa, voltou à fazer o que mais tem feito nos ultimos tempos, que era correr. Ele corria contra o tempo...


João atravessava as calçadas rapidamente, esbarrando nas pessoas.
Luise andava devagar, porém pisava forte, irritada.
A mãe ligava de novo, ela atendeu. Gritava ao telefone, e todos podiam ouvir.
Luise parece não ter percebido a rua. Ela não percebia nada.
Atravessando, deixa o celular cair em meio ao asfalto. Ela parou, os carros, não.
Se abaixou pra pegar sem nem perceber um caminhão que se aproximava.
João ainda correndo observa o que estaria pra acontecer.
Ele salta ao meio da rua, e empurra com força a garota em direção à calçada.
Ela saiu. Ele ficou. O caminhão não parou.

João?
Ele morreu.
Junto morreram os sonhos de um homem sonhador.
Permaneceram os sonhos de uma jovem garota, que de mal com a vida, perdera o hábito de sonhar.

Ele deu a vida por um desconhecido.
Um próximo não tão próximo.
Mas em algum lugar ele está feliz.
Quando o saldo é uma vida, sempre alguém estará sorrindo.

As vezes nosso estado de espírito pode mudar a nossa vida, e a de outras pessoas também!

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